E hoje os meus doentes são os mesmos de sempre. E passam-se meses, e talvez já se tenham passado anos e eles regressam. E hoje reencontrei 2 de longa data, reenternados. E acompanhamos todo o processo, e reconhecemos as famílias e não reconhecemos os doentes. Porque são os mesmos mas já não são os mesmos. Por fora estão mais em baixo, por dentro estão diferentes. E percebemos que o sucesso tem um prazo. E o deles expirou. Mas há relações que se criam, há laços. Hoje senti a confiança, nas minhas sugestões, no meu julgamento, de uma relação que já vai longa e que se baseia na confiança. Porque os doentes não são todos iguais e é bom conhecê-los para além do estereótipo. Ajuda a cuidar.
Sou Enfermeira e hoje é o meu último dia de férias. Que dia melhor para iniciar um blog onde posso expor as emoções que fazem parte do dia de uma Enfermeira, as histórias giras, intensas, caricatas, dramáticas, cómicas, trágicas, hilariantes e por vezes inverosímeis que enchem os meus dias. Uma forma de dar/encontrar sentido numa altura em que poucas coisas o fazem. Um escape à loucura, um cantinho de desabafo, um diário sentimental de uma das profissões mais exigentes do Mundo. Para me lembrar porque a escolhi!